Paula Lopes
09 SET

Luc Besson conhecido por “O quinto elemento (1997)” e “O profissional (1994)” já tem uma carreira consolidada e parece que quer continuar nesse caminho. No longa,  temos características marcantes do diretor, se utilizando de muita ação beirando até o exagero em muitas situações. 

Em seu novo filme, que nos prende do início ao fim, temos a atriz americana Scarlett Johansson “Os Vingadores (2012)” e “Match Point (1995)”, famosa por ser a sensualidade personificada, que possui um público fiel e fanático sedento por novas atuações, embora seus filmes sejam mais do mesmo. Entretanto, o que ultimamente tenho observado é uma guinada, proposital ou não, na sua carreira, onde não mais aquele papel de fêmea devoradora prevalece.


O filme inicia com uma tensão que nos aflige à La “Vício Fenético” (2009). Lucy, uma simples garota que anda com más companhias se vê num dilema e isso desencadeia uma mudança de 180 graus em sua vida. Quando, em Taipei, contra sua vontade, transporta uma droga sintética que se espalha por todo seu corpo e rapidamente alcança seu cérebro, agora ela não é mais uma mera mortal e chega ao ponto surpreendente de utilizar 100% da capacidade mental. O filme conta com referências escancaradas ao “Limitless (2011)” e aquele papo batido que humanos só utilizam 10% de seu cérebro, perdendo até para os golfinhos. Carregado de filosofia e teorias guiadas por Morgan Freeman, o filme se utiliza de uma explosão de imagens magníficas desde a criação do mundo, passando pela natureza e o universo onde nos sentimos pequenos diante de tudo que nos rodeia.

Enquanto o lucro faz o mundo de alguns girar, o de outros se baseia em obter respostas a perguntas que achávamos quase impossíveis de serem sanadas. Isso nos faz refletir sobre muitos aspectos existenciais e o filme consegue passar essa desconstrução da personagem, de sua figura comum e superficial para o extremo, o extraordinário, necessitando de conselhos sobre o que fazer com tanta informação. Isso culmina no retorno às suas origens, aos anais de sua criação. Logo, temos o encontro consigo mesma, o “eu” que iniciou tudo, a Australopithecus Lucy, que de fato existiu (existem registros de um fóssil de 3,2 milhões de anos, encontrado no deserto da Etiópia).

Uma ficção científica/ação forçada em alguns momentos, quando ela desafia leis da gravidade ou quando matar traficantes coreanos fica em segundo plano e matar inocentes é totalmente aceitável. E, acreditem ou não, quando o conhecimento de uma vida inteira cabe em um simples pen drive!

E o que acontece se usarmos toda nossa capacidade intelectual, afinal? Isso me remete ao filme “Transcendence (2014)”, o qual cita "As pessoas temem aquilo que não conseguem entender", e que mostra que nosso mundo como o conhecemos transcende qualquer teoria, afinal somos tão pequenos e talvez não estejamos preparados para uma transformação dessa magnitude.

Lucy possui tanto conhecimento que precisa ser compartilhado, dividido em pouco tempo o que nos deixa atônitos em alguns momentos do filme, já que muitas dúvidas que permanecem, deixando assim o final um pouco vago. No fim das contas, o que será do mundo depois que obtivermos todas as respostas? O filme deveria ter se aprofundado um pouco mais nisso em vez de bater na mesma tecla já vista milhares de vezes anteriormente. Mas é, ainda assim, um Sci-fi visceral recomendadíssimo.


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