Carlos Batalha
Carlos Batalha
24 JAN

Não vejo o BBB. O cotidiano das pessoas de lá não me desperta interesse algum. E isso nada tem a ver com um discurso intelectual-cult sobre a mídia-apelativa ou qualquer bobagem desse tipo. É só que, especificamente, aquelas pessoas não me interessam. Há cotidianos que nada têm de cultural e que me interessam bastante. A rotina de treinos de Ronaldinho no Flamengo, por exemplo. Mas, como ainda habito esse planeta, sei que a transexual Ariadna foi eliminada logo de cara. Claro, o objetivo de por um transexual é criar polêmica e, consequentemente, gerar audiência. Iria atiçar o preconceito e a demagogia dentro e fora da casa. Mas o público do BBB é, na maioria, o público da novela. E, sendo assim, nada dessas coisas muito moderninhas. Basta o vilão, o mocinho e a mocinha. O que parecia ser a promessa, virou frustração.

 

Também foi assim com "A Origem", talvez o filme mais badalado do ano passado. O que prometia ser um novo clássico do cinema se tornou o grande fracasso do Globo de Ouro. Os rumores pré-lançamento davam conta do surgimento do que parecia ser o novo Matrix, algo que misturava efeitos espetaculares com uma trama sensacional. Nada disso. É, apenas, um bom filme de ação com um mote mais interessante do que matar os inimigos pra salvar a mocinha. Vendo o filme, logo de cara, algo me chamou atenção: uma personagem chamada Ariadne, que teve que desenhar labirintos como teste para entrar no grupo. Obviamente, com esse nome e a referência ao labirinto, deduzi que a moça guiaria o mocinho até o desfecho de sua tensão pessoal...

 

Na mitologia grega, Ariadne (ou Ariadna em algumas línguas) deu a Teseu um novelo para usar como guia no labirinto do Minotauro, o que originou a expressão "Fio de Ariadne". Como escreveu lindamente Jorge Luis Borges:

"O fio que a mão de Ariadne deixou na mão de Teseu (na outra estava a espada) para que este afundasse no labirinto e descobrisse o centro, o homem com cabeça de touro ou, como quer Dante, o touro com cabeça de homem, e lhe desse morte e pudesse, já executada a proeza, destecer as redes de pedra e voltar a ela, a seu amor".

 

Porém, tanto no filme quanto no BBB, o fio de Ariadne se partiu. No BBB, esperava-se ser Ariadna a linha-guia de uma edição polêmica, inusitada, marcante, acalourada... mas o enredo que se pretendia cheio de nuances promete seguir a linearidade dos folhetins. No filme, a Ariadne que prometia levar o mocinho à resolução de suas questões internas não passou de um nome-clichê desnecessário. Até mesmo porque, verdade seja dita, tudo que o filme não possui é um labirinto.

 

Fique tranquilo, Teseu. Não existe a menor chance de se perder...


Por: Carlos Batalha

Carlos Batalha
Carlos Batalha
10 JAN

No filme "Você vai conhecer o homem de seus sonhos" o diretor Woody Allen explora o desejo nas mais diversas formas. O setentão que deseja ser jovem, a mulher que deseja ser galerista, o escritor que deseja o sucesso literário tanto quanto deseja a linda vizinha que só usa vermelho...

 

No início do filme, o narrador cita Macbeth, de Shakespeare, dizendo: "A vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, significando nada". E se a vida é essa loucura niilista, qual o limite moral que nos separa desses desejos?

 

No centro da história, um casal vive o conflito pela frustração profissional. Ela a tal que deseja ser galerista, e por isso se deixa levar pelo papo do chefe bem sucedido na área. Ele o tal escritor que corteja a vizinha, bela e filha de um importante crítico literário. Entre o pragmatismo amoral dos dois, a mãe dela abstrai as dores da separação através dos conselhos da vidente. Enquanto todos vivenciam a angústia das incertezas, ela cultiva a felicidade da fé cega.

 

No conto "A Cartomante", Machado de Assis também cita Shakespeare logo de cara: "Hamlet observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia". Também como no filme de Woody Allen, há a relação extra-conjugal e a mulher que acredita piamente no que diz a cartomante. Só que essa felicidade baseada no irracional conduz o casal à morte.

 

A felicidade é a realização dos desejos, e os caminhos para isso podem ser os mais diversos. Como disse Pascal: "Todos procuram ser felizes; isso não tem exceção. É esse o motivo de todas as ações de todos os homens, inclusive os que vão se enforcar". Crer ou não crer, eis a questão...

 

Por: Carlos Batalha

Carlos Batalha
Carlos Batalha
05 JAN

Um nerd com poucos amigos, que gostaria de ser tão popular na faculdade quanto o time de remo, e que é rejeitado pela garota que gosta. O que poderia ser o enredo de um filminho sessão-da-tarde meio sem graça, é a história real do bilionário mais jovem da história.

 

O bom "A rede social" conta como Mark Zuckerberg deixou de ser o gênio-nerd-meio-estranho para se tornar o gênio-nerd-meio-estranho e bilionário. A criação do Facebook, a maior rede social do mundo e um símbolo das novas interações virtuais, é apenas um pretexto para mostrar o que toda boa história sempre mostra: relações humanas.

 

A partir do fim do namoro, Zuckerberg decide fazer algo que o deixe célebre e bem quisto para reconquistar a menina. E, nessa busca, muita coisa acontece. Zuckerberg transita entre a ingenuidade desleixada e a perversidade cínica, que o afastam do seu sócio e verdadeiro amigo, o brasileiro Eduardo Saverin, e o aproximam do ególatra Sean Parker, criador do Napster, e que viria entrar no Facebook. É a negação do passado frustrado em busca do futuro de sucesso e aceitação social. Aceitação social, por sinal, é a chave das conquistas e das frustrações de Zuckerberg.

 

Analisando a si mesmo, Zuckerberg percebeu que a vida é um grande teatro, onde as pessoas tentam encenar os papéis principais. E, sendo assim, pouco importa o que você verdadeiramente é; o importante é a imagem percebida pelos outros. O Facebook seria, então, o palco. Ali, cada um representa o que bem desejar. Mas Zuckerberg também é apenas um humano, demasiado humano, em busca da legitimização de seus semelhantes e, assim como os outros, confunde-se entre o que ele de fato é e a personagem inventada.

 

Mark Zuckerberg pensou que a solução dos seus problemas seria ter um milhão de amigos pra bem mais forte poder cantar. Mas ao ver que na sua lista de amigos do Facebook não estava a única pessoa que realmente o interessava, sua ex-namorada, deixou Roberto Carlos de lado e voltou a ouvir Beatles:

 

I|m a loser, I|m a loser, And I|m not what I appear to be

Of all the love I have won or have lost,

There is one love I should never have crossed.

She was a girl in a million my friend, I should have known she would win in the end.

I|m a loser, and I lost someone who|s near to me...

 

 

 

Por: Carlos Batalha

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