Nadia Lima
Nadia Lima
24 OUT


Por um tempo, parecia que horror moderno seria definido por filmes que se deliciariam na excessiva violência e tortura e menos por filmes feitos para empurrar o público para o cinema (e confortá-los o suficiente para que eles voltem para a sequência no próximo Halloween). Mas, com uma onda de filmes de “found footage” que insinuavam mais do que mostravam, parecia que horror estava sendo recuperado, se não exatamente pela sutileza, mas sim, pela capacidade de convencer através do medo, mais do que apenas a violência extrema. Isto atingiu o seu ápice verão passado, com 'A Invocação do Mal', um filme baseado numa história verdadeira. E onde há um sucesso, há uma franquia, especialmente no mundo de baixo custo do horror, de modo que, pouco mais de um ano depois de 'A Invocação do Mal', que fez o público se “mijar” de medo, vem 'Annabelle', um “prequel” centrado em torno da boneca assombrada do filme original. 

Este novo filme abre com imagens de  'A Invocação do Mal', uma boa "sacada", visto que nem todo mundo que está vendo 'Annabelle' assistiu àquele. E é essa mesma cena com duas jovens enfermeiras falando sobre como a sua boneca, chamada Annabelle, estava aterrorizando-os em seu apartamento, que é onde tudo recomeça. O filme então volta alguns anos, com as circunstâncias em que criaram esta “boneca demônio”. Infelizmente, a história de origem da boneca é terrivelmente maçante. Intencionalmente ou não, a coisa toda cheira a ser um caça níquel cinematográfico, como são tantas outras sequências. Mas isso não afeta o desenrolar da história, que prende o espectador.

Filmes de terror centrados em torno de bonecas possuídas não traz nada de novo. Porém, há algo assustador sobre os rostos de porcelana estáticos de bonecas e na ideia de que, quando as luzes se apagam, eles poderiam se movimentar com alguma intenção sinistra. Mas, na maioria desses projetos, são dados caráter e personalidade aos bonecos. Em 'Annabelle', a boneca é apenas um objeto, que foi criada em torno de uma visão fantasmagórica. A boneca em 'Annabelle' não é nada mais do que um ser inanimado que, através de iluminação suave e muita maquiagem, sugere-se ter uma personalidade, mesmo que o cineasta nunca deixe claro que ela realmente tem a capacidade de vir para a vida e, digamos, esfaqueá-los com uma faca de cozinha. 


Este novo filme abre com imagens de "Invocação do mal", uma boa ‘sacada’, visto que nem todo mundo que está vendo Annabelle assistiu àquele. E é essa mesma cena com duas jovens enfermeiras falando sobre como a sua boneca, chamada Annabelle, estava aterrorizando-os em seu apartamento, que tudo recomeça. O filme então volta alguns anos, com as circunstâncias em que criaram esta “boneca demônio”. Infelizmente, a história de origem da boneca é terrivelmente maçante; intencionalmente ou não, a coisa toda cheira a ser um caça níquel cinematográfico, como são tantas outras sequências, mas isso não afeta o desenrolar da história, que prende o espectador.

Filmes de terror centrados em torno de bonecas possuídas não traz nada de novo, porém, há algo assustador sobre os rostos de porcelana estáticos de bonecas e na ideia de que, quando as luzes se apagam, eles poderiam se movimentar com alguma intenção sinistra. Mas, na maioria desses projetos, são dados caráter e personalidade aos bonecos; em "Annabelle", a boneca é apenas um objeto, que foi criada em torno de uma visão fantasmagórica. A boneca em "Annabelle" não é nada mais do que um ser inanimado que, através de iluminação suave e muita maquiagem, sugere-se ter uma personalidade, mesmo que o cineasta nunca deixe claro que ela realmente tem a capacidade de vir para a vida e, digamos, esfaqueá-los com uma faca de cozinha. 


John R. Leonetti ('Efeito Borboleta 2' e 'Mortal Kombat 2') assina a direção de 'Annabelle'. Diretor de sequências, ao que parece, fez um filme com alguns picos de emoção, poucos sustos e todos os clichês reunidos. A julgar pela sua filmografia, fez o seu melhor até o momento se utilizando de inúmeras referências de clássicos do terror, como 'Helter Skelter', (quando o jovem casal está assistindo ao noticiário das mortes cometidas por Charles Manson, parece que a ansiedade com o suposto surto satânico se reflete dentro de casa, com Mia se sentindo isolada e desconfiada, às vezes de seu próprio marido. O diabo que aparece na garagem e sobe escadas lembra muito o “Pazuzu” de 'O Exorcista – O Herege'. Há também a sugestão de que os outros inquilinos estariam envolvidos em adoração ao diabo, a mudança para um novo apartamento (e o fato de que o nome do personagem principal é Mia, bem como Mia Farrow, atriz principal de 'O Bebê de Rosemary', sem esquecer o carrinho da filha do casal). Parece, inicialmente, que o marido está passando muito tempo longe de casa, não porque ele é um médico, mas porque ele está tendo um caso ou, ainda mais malevolamente, é um membro do mesmo culto que os invasores do início fizeram parte. Mas não. Ele é apenas um médico. E ela é apenas uma dona de casa. E é isso.

'Annabelle' está aquém de ser um clássico, mas ao que se propôs, conseguiu ser mais do que apenas o bater dramático de portas de quartos e piscinas de sangue.  


Nadia Lima
Nadia Lima
16 SET

A atração por ver Cameron Diaz nua – ainda que discretamente enquadrada - parece ser o mote para a venda de milhares de ingressos. Mas se o desafio de fazer uma comédia adulta bem sucedida reside em combinar as proporções corretas de obscenidade e sentimento, então 'Sex Tape: Perdido na Nuvem' - dirigido por Jake Kasdan - mostra como esse ato de equilíbrio pode dar errado.

Segel e Diaz (que já trabalharam juntos em ‘Professora sem Classe’) são Jay e Annie, um casal entediado que decide gravar um filme caseiro íntimo e, em seguida, encontram-se correndo atrás deste durante uma noite inteira para impedi-lo de ir parar nas mãos de pessoas erradas bem como nas redes sociais. Esta é uma premissa que oferece  oportunidades para um grande sucesso, tal qual ‘Pagando Bem, que Mal Tem?’ (2009), de Kevin Smith, comédia que segue a mesma linha do "vídeo erótico amador". A diferença entre ambos é que apenas um consegue fazer rir. E não é, definitivamente, 'Sex Tape'.

 
'Sex Tape' carece de foco, ainda que por razões diferentes. O filme tem suas ideias, mas ele nunca tenta desenvolver nada. Só porque duas pessoas estão fazendo sexo o tempo todo - e não de uma forma sexy - não faz disso automaticamente uma situação engraçada. Só porque seus dois protagonistas correm para pegar iPads que foram doados (até mesmo para o carteiro!), não torna a situação engraçada. 'Sex Tape' parece não perceber ou talvez, sequer se preocupe com isso. Ele só joga algo na tela e segue em frente sem dar nenhum senso de propósito fora do "quão engraçado seria se duas pessoas fizessem uma fita de sexo e tiverem  que pegá-la de volta?". Isso é bom para um riso rápido, aquele em que você puxa o lábio para o lado, sem abrir a boca. Mas se você não consegue ir além disso, essa "comédia" não faz isso sozinha.
 

Nem tudo é ruim no filme. Tem o Jack Black, sempre divertido, como o “Big Boss” do super acessado “youporn” e o Rob Lowe, como o chefe cheirador de cocaína de Annie. A coisa toda parece muito artificial e o roteiro não é inteligente o suficiente para escondê-lo. Pode funcionar melhor em casa, na TV , quando suas expectativas são mais baixas. Mas não desperdice o seu dinheiro arduamente ganho para vê-lo no cinema.


Paula Lopes
Paula Lopes
09 SET

Luc Besson conhecido por “O quinto elemento (1997)” e “O profissional (1994)” já tem uma carreira consolidada e parece que quer continuar nesse caminho. No longa,  temos características marcantes do diretor, se utilizando de muita ação beirando até o exagero em muitas situações. 

Em seu novo filme, que nos prende do início ao fim, temos a atriz americana Scarlett Johansson “Os Vingadores (2012)” e “Match Point (1995)”, famosa por ser a sensualidade personificada, que possui um público fiel e fanático sedento por novas atuações, embora seus filmes sejam mais do mesmo. Entretanto, o que ultimamente tenho observado é uma guinada, proposital ou não, na sua carreira, onde não mais aquele papel de fêmea devoradora prevalece.


O filme inicia com uma tensão que nos aflige à La “Vício Fenético” (2009). Lucy, uma simples garota que anda com más companhias se vê num dilema e isso desencadeia uma mudança de 180 graus em sua vida. Quando, em Taipei, contra sua vontade, transporta uma droga sintética que se espalha por todo seu corpo e rapidamente alcança seu cérebro, agora ela não é mais uma mera mortal e chega ao ponto surpreendente de utilizar 100% da capacidade mental. O filme conta com referências escancaradas ao “Limitless (2011)” e aquele papo batido que humanos só utilizam 10% de seu cérebro, perdendo até para os golfinhos. Carregado de filosofia e teorias guiadas por Morgan Freeman, o filme se utiliza de uma explosão de imagens magníficas desde a criação do mundo, passando pela natureza e o universo onde nos sentimos pequenos diante de tudo que nos rodeia.

Enquanto o lucro faz o mundo de alguns girar, o de outros se baseia em obter respostas a perguntas que achávamos quase impossíveis de serem sanadas. Isso nos faz refletir sobre muitos aspectos existenciais e o filme consegue passar essa desconstrução da personagem, de sua figura comum e superficial para o extremo, o extraordinário, necessitando de conselhos sobre o que fazer com tanta informação. Isso culmina no retorno às suas origens, aos anais de sua criação. Logo, temos o encontro consigo mesma, o “eu” que iniciou tudo, a Australopithecus Lucy, que de fato existiu (existem registros de um fóssil de 3,2 milhões de anos, encontrado no deserto da Etiópia).

Uma ficção científica/ação forçada em alguns momentos, quando ela desafia leis da gravidade ou quando matar traficantes coreanos fica em segundo plano e matar inocentes é totalmente aceitável. E, acreditem ou não, quando o conhecimento de uma vida inteira cabe em um simples pen drive!

E o que acontece se usarmos toda nossa capacidade intelectual, afinal? Isso me remete ao filme “Transcendence (2014)”, o qual cita "As pessoas temem aquilo que não conseguem entender", e que mostra que nosso mundo como o conhecemos transcende qualquer teoria, afinal somos tão pequenos e talvez não estejamos preparados para uma transformação dessa magnitude.

Lucy possui tanto conhecimento que precisa ser compartilhado, dividido em pouco tempo o que nos deixa atônitos em alguns momentos do filme, já que muitas dúvidas que permanecem, deixando assim o final um pouco vago. No fim das contas, o que será do mundo depois que obtivermos todas as respostas? O filme deveria ter se aprofundado um pouco mais nisso em vez de bater na mesma tecla já vista milhares de vezes anteriormente. Mas é, ainda assim, um Sci-fi visceral recomendadíssimo.


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