Ricardo Bandeira, nome artístico de Everton Albuquerque de Oliveira, foi um ator, diretor, autor teatral, produtor, bailarino e um dos mais importantes mímicos da história do teatro brasileiro. Nascido no Rio de Janeiro, destacou-se por sua expressividade corporal e pelo trabalho pioneiro na arte da pantomima, tornando-se uma referência nacional e internacional na área.
Sua carreira começou ainda jovem nos palcos teatrais, atuando em montagens clássicas como O Avarento, de Molière, sob direção de Procópio Ferreira. Na década de 1950, aprofundou seus estudos em expressão corporal e mímica, passando uma temporada em Paris, onde teve contato com grandes mestres da arte gestual, incluindo Marcel Marceau e Jean-Louis Barrault.
Em 1958, fundou sua própria companhia de mímica e passou a excursionar pelo Brasil e pelo exterior com espetáculos que combinavam poesia, crítica social e linguagem corporal. Recebeu prêmios internacionais na Finlândia, Bulgária e Inglaterra, sendo reconhecido como um dos maiores intérpretes de pantomima de sua geração. Segundo relatos, Marcel Marceau chegou a chamá-lo de “sucessor brasileiro”.
Além da atuação, escreveu, dirigiu e produziu diversos espetáculos teatrais, entre eles Todo Mundo Nu, Carlitos no Circo, Eu! Maiakovski! e uma celebrada adaptação solo de Ricardo III. Seu trabalho influenciou gerações de artistas ligados ao teatro físico e à mímica no Brasil.